Espaço de discussão e reflexão sobre a MEMÓRIA/TEMPO na construção do espetáculo de dança contemporânea "INPUT" da desCompanhia de dança. O projeto foi contemplado pelo Edital de Dança de Produção da Fundação Cultural de Curitiba e será estreado no dia 05 de Junho de 2014 no Teatro Kraide do Portão Cultural em Curitiba. Para maiores informações sobre a cia favor acessar o nosso blog www.descompanhia.blogspot.com

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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Impressões compartilhadas

Temporada de apresentação do INPUT em Curitiba intensa e especial! Segue algumas das impressões que recebemos sobre o trabalho. Muito obrigado pela presença, atenção e carinho.  Equipe desCompanhia.

  • MIRIANE FIGUEIRA: o espetáculo me fez pensar coisas que tinha deixado de pensar. foi lindo.
  • LUCAS TADEU: “… fui envolvido pela magia do espetáculo. A nudez que evoluía durante a dança vulnerabilizava os artistas e assim, uma vez que eles confiavam no público para tal, também eu me vulnerabilizei, e confiei nos integrantes e na dinâmica. A desconstrução da rotina, a dinâmica da memória e a efemeridade da vida nos torna vazios de certa forma, em contrapartida cheios de sentimentos. OBRIGADO por me lembrarem do essencial.
    Extraordinária atuação da equipe e escolha das músicas, meus parabéns!!!”
  • GABRIEL CONTE: Bom ver vcs de novo. Vcs arrasam, sempre. Consegui levar varios amigos, alguns foram ver mais de uma vez. Eles adoraram...
  • FLÁVIO MAGALHÃES: Obrigado pelo trabalho. Pude prestigiar Input ontem. Realmente é uma proposta de trabalho que pode gerar uma série de reflexões, e gerou, no meu caso
    Um abraço.
  • PRISCILA DINIZ: Achei incrivelmente profundo o que fizeram... ficamos horas conversando sobre o que se manifestou em cada um de nos que fomos ver... saiu mt interpretação interessante.
  • SILVIA DUARTE: Parabéns pela apresentação de ontem! Fiquei curiosa para assistir e valeu a pena! ótima performance a todos!
  • KUSUM TOLEDO: Até agora com vontade de chorar habitada por um silêncio novo. Forte. INPUT, uma experiência intensa. Gradecida desCompanhia.
  • RENATA ROEL:
    Memória que evidencia hábitos e modos de se resolver intuitivamente, ou instintivamente. Fiquei com uma sensação de ambiguidade.
    Ao assistir o trabalho, fiquei pensando e olhando para as diferenças nos modos de resolução e do quanto o Jogo revela essas singularidades e ao mesmo tempo os hábitos que também passam a ser característico da Cia. (afinal, tem-se também uma memória de convivência, uma memória de modos de se posicionar no ensaio, na vida que vai pra cena junto e é revelador neste trabalho).
    Pra mim (bem pessoal) existe um lugar do "erro" ou do "não conseguir" realmente que faz a dança acontecer com o público, eu particularmente fico muito junto e curiosa quando sinto que o não saber é real ali em cena, e isso revela muito sobre nosso treinamento de dança... o quanto é difícil a gente errar, a gente entrar em cena no risco sinceramente, pq a gente também com essa possibilidade do treino vai deixando o risco amenizado,  porque o corpo cria hábitos, e intuitivamente a gente é treinado para não errar nunca, e muito menos em cena...
    A possibilidade de levar um jogo pra cena é muito legal enquanto dramaturgia, é ambíguo, ao mesmo tempo em que despessoaliza, pessoaliza. Me mostra ali um rastro (memória) do ensaio, da vida, do como cada um se resolve...é ambíguo porque ao mesmo tempo em que junta os artistas numa condição de estar em cena e junta também os separa nos seus modos distintos de se resolver ou não se resolver....acho que a gente sempre acaba resolvendo no fim das contas, errando ou acertando ou entregando o jogo...
    Essa ambiguidade me deixa interessada e curiosa. Ela aparece desde o início, porque ao mesmo tempo que eu entendia que era um jogo, eu não entendia muito bem a lógica dele, ao mesmo tempo que eu sabia que a música entrava como uma "comemoração" (inventei isso ali) eu não entendia a lógica das roupas...E isso ficou mais evidente no final. Acabou? Acabou!!! Acabou???
    Beijooooooooooooooooooooooo
    Renata Roel

    quinta-feira, 29 de maio de 2014

    INPUT é o novo trabalho da desCompanhia de dança!

    DE 05 A 29 DE JUNHO, no TEATRO ANTONIO CARLOS KRAIDE (Portão Cultural) em Curitiba


    Em cena,  quatro bailarinos jogam o jogo da  memória: enquanto jogam, criam uma coreografia que deve ser memorizada e replicada. As cartas e a coreografia a  serem memorizadas impulsionam a construção de uma dramaturgia dançada, que se constrói em tempo real, a cada espetáculo. Como questão, além da construção do jogo (em pedaços), a construção da memória de cada um  (artista e receptor).
    Durante o trabalho, a atualizacão constante  da memória revela novas camadas  sensoriais que se resignificam a cada espetáculo: no percurso da ação, realidade e ficcão, universalidade e particularidade se misturam sutilmente no palco; são reelaborados e colocados no mundo novamente.
    A concepção e dramaturgia do espetáculo ficou a cargo do artista mineiro, Tuca Pinheiro. Segundo a diretora artística do espetáculo, Cintia Napoli, “Tuca veio para sinalizar um modo novo de criar”. Em cena os bailarinos criadores: Juliana Adur, Peter Abudi, Yiuki Doi e Mariana Mello.
    No espetáculo, o impalpável e o que se revela: o que é aerado, o que escapa, a memória atualizada, a cada dia, a cada minuto.
    INPUT é sobre  entradas. E saídas. E sobre lembrar-se: afinal, somos o que somos porque somos memória. 

    INPUT
    desCompanhia de dança
    Direção: CINTIA NAPOLI
    Dramaturgia e Concepção: TUCA PINHEIRO
    Criação e Performance: JULIANA ADUR / MARIANA MELLO / PETER ABUDI / YIUKI DOI

    DE 05 A 29 DE JUNHO DE 2014 – QUINTA A SÁBADO ÀS 20HS
    DOMINGO ÀS 18H
    ENTRADA FRANCA


    TEATRO ANTONIO CARLOS KRAIDE
    Avenida República Argentina, 3430 - Água Verde
    INFO: 41 3229-4458 / 3233-8034 / 9601-8553
    descompanhia@gmail.com

    Input 

    FICHA TÉCNICA:

    • Argumento: desCompanhia de dança
    • Direção: Cintia Napoli
    • Concepção e Dramaturgia: Tuca Pinheiro
    • Assistente de Direção: Juliana Adur
    • Criação e Performance: Juliana Adur, Marina Mello, Peter Abudi e Yiuki Doi
    • Iluminação e operação de luz: Fernando Dourado
    • Trilha sonora: Tuca Pinheiro
    • Operação de som: Cindy Napoli
    • Frigurino: Eduardo Giacomini
    • Paisagem sonora externa: Edith de Camargo
    • Voz em off: Paolla de Andrade Torrilhas
    • Texto criado por: Juliana Adur, Marina Mello, Peter Abudi e Yiuki Doi
    • Assessoria de Imprensa: Fernando Proença
    • Ilustração: L. P. Daniel
    • Comunicação Visual: Maria Baptista
    • Direção de produção: Cindy Napoli

    sexta-feira, 16 de maio de 2014

    Depoimentos sobre Memórias

    Texto colaborativos por Juliana Adur, Peter Abudi, Mariana Mello e Yiuki Doi. Revisão do texto: Edith de Camargo e a Cintia Napoli.
    O texto surgiu de um exercício que a nossa diretora artística Cintia Napoli trouxe para o grupo. Depois de tantos laboratórios e pesquisas individuais e coletivas sobre memória, a proposta era construirmos um texto do grupo que referisse sobre a memória. Então fizemos um jogo de contar história com os quatros bailarinos criadores em roda, um começava a falar sobre a memória, depois de um tempo a outra pessoa continuava com a história, acrescentando novos pensamentos sobre tudo que já tinha sido dito pela pessoa anterior. Esse era o nosso jogo: criar um texto como se fosse uma única pessoa falando sobre a memória. Esse texto gravado ficou imenso e ficou interessante, parece até um documentário. Então a Edith e a Cintia selecionaram trechos da gravação que seriam utilizados para o nosso espetáculo.

    Depoimentos sobre Memórias:

    Fico mais questionando o mundo, do que me relacionando com ele intensamente. sinto muitas vezes que a memória tem a ver com emoção, a emoção do envolvimento com os acontecimentos. Por mais que eu me lembre da história que aconteceu, sempre me imaginei desgrudado do mundo. Nunca me senti tão à vontade em cada lugar, seja na família ou na escola. E apesar da história ter passado, parece que faltou esse laço emotivo de pertencimento àqueles espaços e parece que isso cria um lapso de memória em mim. Poucas coisas consigo lembrar. A memória tem a ver com essas questões, não com a história e sim como você colhe o mundo e se aproxima dele.

    ***

    É uma coisa tão ampla que a gente não consegue agarrar. Tem muitas coisas que fico tentando lembrar, eu tenho dificuldade em prestar atenção em tudo que tá acontecendo o tempo inteiro. Algum detalhe sempre passa desapercebido.

    Não que a gente consiga memorizar tudo que a gente tá vivendo à todo momento mas eu sinto que perco muito mais coisas do que a maioria das pessoas perde. E muito mais coisas passam desapercebidos por mim. Quando converso com pessoas e a gente tenta lembrar de determinadas situações que aconteceram em comum, tenho buracos ou lapsos de memória que são muito grandes e fico tentando preenchê-los e não consigo. E quando me contam como era o real, parece que vou criando uma colagem de memórias e ela vai ficando cada vez mais fictícia. Então a sensação que eu tenho, é que nenhuma memória é real.

    ***

    Que que faz um momento importante para mim, fico me perguntando as vezes. Eu não sei se é porque sou uma pessoa introspectiva, como já disse, não gosto muito de falar… fico mais quieto.

    ......

    Tenho uma imagem muito clara do meu pai lavando um Chevette vermelho no quintal da minha casa. Eu me vejo numa foto, sentado no capo dele de uniforme da escola. Meu pai tirou essa foto. Só que essa foto não existe, não sei, a foto eu criei, acho. Eu devo ter inventado ela. As vezes acho que é quase impossível. Porque o Chevette vermelho é inconfundível. Não tem como eu errar cor ou errar o carro. Pra mim ele existe e ponto.

    E minha mãe tem essa mania de sempre me contradizer, que não, que não era bem assim, que essa memória está incompleta ou que estou inventando.

    Então por isso as vezes prefiro me calar pra deixar esse momento em mim.

    ***

    De onde vem essa ilusão que eu criei e que acho que é uma verdade... me dá uma sensação de verdade...

    Falar de memória é um pouco complicado. Memórias parecem melhores ou mais bonitas do que o momento presente que sempre vem junto com tantas contradições.

    Muitas coisas atravessando… imagens idealizadas... muitas informações.... As camadas que se misturam são confusas.

    Por isso fico quieta muitas vezes. Prefiro não falar pra tentar ficar rememorando em mim mesmo.

    Deixo isso tomando espaço dentro de mim.

    Igual essa imagem do Chevette.

    ***

    Eu sinto que a memória tem uma questão imaginativa, você vai completando o laço afetivo para resgatar sensações. Aquela pessoa que você gosta, você atualiza no presente. As memórias atualizadas criam um sentido para aquilo que eu busco.

    Em cada fase da vida a gente tem uma memória diferente. Quando era criança o tempo era diferente, era muito estendido, não pensava tanto no futuro, no passado... o presente era incrível, era uma aventura. Você ir no parque era uma floresta para você desvendar.

    Depois a gente aprende ter um relógio.

    Hoje é diferente, como me relaciono com o presente tem a ver com como me relaciono com minha memória. E não tenho controle sobre esses vãos entre passado e futuro.

    ***

    Nunca tive muitas memórias. Meus irmãos sempre falaram, “lembra de tal coisa…”? Eu não me lembro de muitas coisas da infância. As coisas que me marcaram muito foram muito fortes e deixei elas meio separadas/afastadas, essas memórias. De certa forma acho que ficaram como um trauma. Crio um certo distanciamento e prefiro não tocar em alguns assuntos.

    ***

    Um trauma eu trago do dia que caí da árvore. A gente estava brincando, eu e os meus irmãos...... era um abacateiro...

    Tenho medo de pombo e tenho medo de altura também. E é uma coisa incontrolável as vezes. Quando vejo, já tô passando muito mal.

    Eu já perguntei pra minha mãe, se ela tinha me levado para um lugar muito alto quando era criança, pra onde a gente viajou, que lugares a gente conheceu, onde poderia ter passado por uma situação específica e ter desenvolvido isso. E ela falou, que não se lembra de absolutamente nada assim. No máximo foi no dia da formatura da minha irmã quando a gente subiu um morro e o ônibus passava muito, muito perto a beirada da estrada. E tava todo mundo desesperado, achava que o ônibus ia cair. Mas, até que ponto que realmente uma situação dessa vai provocar um pânico, ou uma sensação física forte quando a gente chega na fase adulta, eu não sei.

    ***

    O Nando acorda no mesmo horário todos os dias, toma café da manhã do mesmo jeito, no mesmo lugar, ao lado da filha, e consegue dar conta da rotina, mas tem dias que não lembra do nome da filha.

    Irracional.

    Incontrolável.

    Onde fica a memória em toda essa história, que aparece e desaparece?

    A emoção apaga a memória, o trauma físico apaga ela. Quando caí da árvore, apagou minha memória, desmaiei acho, não consigo lembrar…

    Lembro que estava deitado no colo da minha mãe quando acordei.

    O tempo da memória é algo muito intrigante.

    É uma questão espaço/tempo. Uma questão quântica.

    Onde é que eu estou?

    Estou no presente? Estou no passado? No futuro?

    Isso me intriga muito, onde é que eu estou.

    Existe algo, que está sendo registrado no corpo.

    O contorno da realidade.

    … em que memória posso me apegar como real?

    Tecnologias afastam a experiência real das coisas?

    A sensação é, que tudo vai escorregando…

    Tenho quase certeza que inventei isso. Tenho a sensação que invento relações afetivas com minhas memórias.

    Enfeitá-las, torná-las mais interessantes.

    Não posso chegar perto de uma sacada no décimo-quinto andar. É incontrolável.

    ***

    sexta-feira, 9 de maio de 2014

    Minha memória compartilhada: Paredes do banheiro e Não há sentido…

    des, segue os dois textos que estou com dúvidas para a cena da carta azul. Yiuki

     

    Paredes do banheiro

    Quando eu era pequeno tinha um banheiro fora da casa, onde também era o nosso local de castigo.

    Às vezes minha mãe encontrava-me sozinho nesse banheiro, fazendo nada, sentado no assento tampado. Vendo a situação estranha, ela perguntava: – Filho, o que está fazendo ai? Eu respondia: - Estou de castigo, pois fiz algo errado.

    Não era triste, nem alegre aquele banheiro. Sabia que era um lugar que eu precisava ficar, somente isso.

    Anos passaram, sai de casa e acabei me afastando dos meus pais, pois não consegui realizar algo que os filhos de japoneses costumam realizar.

    Assim, decidi ficar no banheiro.

    Busquei romper os laços, entrei no silêncio.

    Queria que os meus pais se afastassem de mim.

    Achei que tinha conseguido.

    Mas ano passado recebi uma encomenda através do meu irmão, um pacote com comidas japonesas enviadas pela minha mãe, nela havia uma etiqueta escrita “Com carinho”.

    Talvez ser filho não é uma questão de merecer ou não...

     

    Não há sentido…

    Meu pai sempre foi agricultor, por isso fui criado na roça até os meus 7 anos. Nesse período não tive amigos, as crianças que eu podia brincar eram as minhas duas irmãs. Lembro-me delas brincarem de cozinhar, e eu ficava com raiva porque não encontrava sentido naquela brincadeira. Aos 7 anos eu precisava estudar, então fui morar com a minha vó que morava próximo de uma escola. Achei que teria amigos, mas eu era muito delicado e também inteligente. Lembro de um paredão e uma roda de crianças me cercando, no centro estava eu e um menino. Eu precisava brigar com ele. Não entendia por que precisava brigar, não encontrava sentido nisso. Eu recuava, recuava e recuava. Ouvia outras crianças incentivando a briga. Lembro de uma voz: Ele não reage, parece até uma menina. O menino avançava, dando-me empurrões para tras e para o chão. Eu não briguei naquele dia. E como não reagi, as crianças foram embora. Não há sentido em muitas coisas da vida.

    quarta-feira, 9 de abril de 2014

    quarta-feira, 2 de abril de 2014

    Avalanche

    É  a palavra de hoje. Avalanche. É difícil lidar com ela. Às vezes parece que é muito e muito e às vezes parece que não há nada.  que eu fiquei num limbo sem memórias nem palavras. A avalanche pode ser racionalizada? É um pouco sobre a angústia da falta de controle, sobre o ser tomada. Mas às vezes talvez falte  o ímpeto dos impulsos. Mas como não ser apenas desordem? E se a natureza da avalanche for justamente a da (e a da produção de) desordem? Dificuldade de me ater a uma única ideia. Assim como a própria ideia de avalanche, de algo que vai crescendo e tomando tudo ao seu redor, talvez um pouco assim meus pensamentos. Uma pequena impressão ou ideia vai crescendo crescendo e é difícil manter o que havia antes. 
    É como se às vezes viesse uma avalanche bem branca e ficasse apenas o vácuo e as coisas sendo sugadas, tudo desestruturando de uma maneira bonita. Mas como achar essa força?
    Como ser avalanche autêntica e não interpretação da avalanche?

    IMPRESSÕES DO ENSAIO DE 27.03

    Por Mariana Mello

    domingo, 30 de março de 2014

    Sabedoria do corpo

    des, nos laboratórios de criação junto ao Tuca Pinheiro e a Cintia Napoli, algumas frases/ideias ficaram marcantes para mim. Compartilho algumas delas no nosso díario de bordo:

    • Se racionalizar demais é como se estiver menosprezando o corpo, o que já é, o que já existe e sabe.
    • O sujeito da ação é a ação.
    • O corpo existe no coletivo.
    • O corpo imagético não é privado, é um corpo público.
    • Como transformar a imagem em potência pública? O público entra na imagem construída e cada um leva o que fica dela.
    • Falar da memória para resgatar os sentidos das coisas.
    • Memória não é somente uma lembrança, ela é uma forma de ver e interagir com o mundo.
    • Padrão não é ruim, ele precisa ser um dispositivo par avançar/evoluir.
    • Como acessar as memórias das pessoas sem precisar saber dos fatos pessoais?
    • Padrão talvez seja uma memória calcificada.
    • Como transformar o que está em cena em memória do público?
    • A questão da memória é muito ampla, não conseguimos dar conta de tudo, então precisamos partir desse ponto.
    • O que do individual se torna coletivo? Talvez podemos ir para o corpo como corpo.
    • O que não está no corpo vira pastiche.
    • Memória é quando faz alguma coisa com a história. Dessa maneira, memória não é simplesmente uma história. Fazemos algo com a memória, ela fica em algum lugar do corpo.

    Deixo recortado um trecho que encontrei de um livro sobre Nietzsche que o prof. de filosofia Tulio Tibério da UNICENTRO-Irati me indicou. No final da postagem, a quem se interessar, deixo o tema “Sabedoria do corpo” do Capítulo IV do livro na integra. É uma leitura curta, rápida e gostosa ;) Yiuki Doi

    “Partindo da consciência, formas-se uma representação superficial e aberrante da vida psíquica, cai-se vítima da falsa separação entre a alma e o corpo, é-se irresistivelmente atraído para o Idealismo e fascinado pelas miragens da metafísica. Pretende-se, ao menos uma vez, ter os meios de uma interpretação adequada da realidade, não ter nenhuma hesitação: é preciso, afirma Nietzsche, deixar de conceber crédito à consciência e se voltar para o corpo. Pois é o corpo o único que tem condições de nos instruir sobre o valor de nossa personalidade profunda. Colocarmo-nos, para decifrar o mundo, no ponto de vista do corpo […] é preciso admitir que esse pensamento corporal, inconsciente, com toda a sua gama de operações delicadas como julgar, imaginar, criar valores, é muito mais aperfeiçoado e sutil do que o pensamento consciente associado ao eu e ao intelecto: “A esplêndida coesão dos mais múltiplos seres vivos, o modo como as atividades superiores e inferiores se ajustam e se integram entre si, essa obediência multiforme, não-cega, e menos ainda mecânica, mas crítica, prudente, cuidadosa ou mesmo rebelde – todo esse fenômeno do ‘corpo’ é, do ponto de vista intelectual, tão superior à nossa consciência, ao nosso ‘espírito’, aos nossos modos conscientes de pensar, do sentir e de querer”

    Nietzsche - Sabedoria do corpo
    por Jean Granier

     


    Nietzsche - Sabedoria do corpo

    por Jean Granier

    Partindo da consciência, formas-se uma representação superficial e aberrante da vida psíquica, cai-se vítima da falsa separação entre a alma e o corpo, é-se irresistivelmente atraído para o Idealismo e fascinado pelas miragens da metafísica. Pretende-se, ao menos uma vez, ter os meios de uma interpretação adequada da realidade, não ter nenhuma hesitação: é preciso, afirma Nietzsche, deixar de conceber crédito à consciência e se voltar para o corpo. Pois é o corpo o único que tem condições de nos instruir sobre o valor de nossa personalidade profunda. Colocarmo-nos, para decifrar o mundo, no ponto de vista do corpo: é esta a desconcertante, mas fecunda “Revolução copernicana” que Nietzsche nos sugere, e que, em comparação à célebre Revolução kantiana, substituirá o cogito transcendental (e, aliás, todo cogito garantido pela consciência de si) pela compreensão viva que define a subjetividade corporal. Trata-se, com efeito, de um corpo em que a consciência é uma simples função entre outras, e cuja atividade já é desde sempre, por si mesma, manifestação de uma subjetividade, em outros termos, produção intencional de significações. Assim Nietzsche escolhe falar do corpo como um “Si” (das Selbst) e lhe dar magnitude como “a grande razão”: “O corpo é uma grande razão, uma multidão unânime, um estado de pás e de guerra, um rebanho e seu pastor. Esta pequena razão que dizes ser seu espírito, é meu irmão, é apenas um instrumento de seu corpo, e um pequenino instrumento, um joguete de tua grande razão” (Assim falou Zaratustra). A partir disso já não é um escândalo (exceto para um incondicional guardião de cogito!) atribuir o pensamento ao próprio corpo: “Admite-se aqui”, declara Nietzsche com tranquila segurança, “que todo organismo pensa, que todas as formações orgânicas participam do pensar, do sentir, do querer e por conseguinte, que o cérebro é somente um enorme aparelho de concentração” (Fragmentos sobre a energia e a potência). O dualismo da res cogitans e da res extensa é derrubado por fórmulas deste gênero: “Por toda parte onde vemos ou adivinhamos um movimento no corpo, é preciso concluir que há uma vida invisível e subjetiva ligado a ele” (Vontade e potência I).

    Melhor: é preciso admitir que esse pensamento corporal, inconsciente, com toda a sua gama de operações delicadas como julgar, imaginar, criar valores, é muito mais aperfeiçoado e sutil do que o pensamento consciente associado ao eu e ao intelecto: “A esplêndida coesão dos mais múltiplos seres vivos, o modo como as atividades superiores e inferiores se ajustam e se integram entre si, essa obediência multiforme, não-cega, e menos ainda mecânica, mas crítica, prudente, cuidadosa ou mesmo rebelde – todo esse fenômeno do ‘corpo’ é, do ponto de vista intelectual, tão superior à nossa consciência, ao nosso ‘espírito’, aos nossos modos conscientes de pensar, do sentir e de querer, quanto a álgebra é superior à tabuada” (Vontade de potência I). Não é difícil de convencer disso, desde que se cuide de reinserir a consciência no contexto da vida e do mundo real, ao invés de se hipnotizar pela evidência pontual do cogito. Então revela-se claramente que as intermitências da consciência de si e os grosseiros erros que ela comete, tanto em suas avaliações do mundo exterior quanto em sua representação do corpo, tornariam impossível o desenvolvimento dos organismos, caso o corpo já não assegurasse continuamente a solução dos problemas fundamentais. De modo que o intelecto e, de modo geral, as faculdades do espírito consciente são chamados a intervir apenas ocasionalmente, obedecendo a comandos transmitidos pelo próprio corpo (Vontade de potência I).

    Mas essa própria subjetividade global do corpo é reunião de multidão de subjetividades solidárias entre si, segundo estruturas de hierarquização muito complexas e em constantes mutação, pois aqui, como alhures, a harmonia só pode derivar de uma luta. “Guiamos por esse fio condutor do corpo [...] aprendemos que nossa vida só é possível graças ao jogo combinado de várias inteligências de valor muito desigual, graças, portanto, a uma perpétua troca de obediência e comando sob inumeráveis formas” (Vontade de potência I).

    Cada uma dessas subjetividades orgânicas corresponde ao que captamos, mas apenas por meio da representação mais ou menos aproximada de nossa consciência, como “instintos”. Esses instintos são pulsões investidas de um certo quantum de energia vital e cujo trabalho, realizado nas profundezas de Si corporal, mantém-se oculto à observação consciente: as aptidões de cada personalidade e a determinação do seu destino dependem do vigor desses instintos e da qualidade de seu discernimento. Em decorrência disso, “o gênio reside no instinto, a bondade também. O único ato perfeito é o ato instintivo” (Vontade de potência I). O corolário dessa proposições fundamental dá a chave da decadência: decadente é a personalidade cujos instintos estão debilitados e ser tornaram anárquicos, por falha do sistema regulador que garante a unidade do Si, de modo que ela é obrigado a se apoiar em sua consciência e em sua razão, forjando para si, com a disciplina ascética da Moral, um lastimável sucedâneo da flexível inteligência adaptativa dos instintos. O decadente é o doente do instinto, que tenta compensar sua carências com uma hipertrofia da lógica e da consciência do puro Dever.

    Coleção L&P Pocket, vol. 823 (Nietzsche – por Jean Granier)
    Tema “Sabedoria do corpo” do Capítulo IV, pag 89
    1ª Edição Setembro de 2009


    sábado, 29 de março de 2014

    MEMÓRIA DA PELE - A relação harmônica entre a energia yang e ying.

    des,

    Há anos atrás fiz algumas aulas de Nei-Kung, uma arte marcial com influência da cultura tibetana, uma das teorias interessantes desta filosofia é que existem polaridades entre parte anterior e posterior do corpo. A parte anterior é positiva e a posterior é negativa. Também lendo o livro “O Corpo Tem suas Razões – Antiginásticas e consciência de si” da autora Thérèse Bertherat, eu encontrei um trecho que diz que os meridianos posteriores, na medicina chinesa, possui relação com a energia yang (negativo), e que os meridianos da parte frontal possui relação com a energia ying (positivo). O que essas informações ajudariam na minha dança? Parece maluquice, mas contribuiu para clarear da onde vêm alguns dos meus padrões de movimentos. Padrões que foi identificado pelo Tuca Pinheiro e Cintia Napoli que apontavam certa falta de organização, foco e clareza. Para os que não conhecem conceitos taoistas de energia, o yang é a energia ativa, solar e masculina; em contrapartida, a ying é receptiva, lunar e feminina (vale lembrar que estas são explicações simplificadas). Descobri que tenho desequilíbrio em ativar a pele posterior do meu corpo, que tem haver com a energia yang (masculina). Da onde vem isso? Eu consigo lembrar coisas da infância que me marcaram, mas não cabe expor aqui, nem preciso ;) Mas o legal dessa história toda é descobrir que posso reequilibrar as duas polaridades da minha pele. Ando experimentando isso no quotidiano e notei que melhorou o meu alinhamento corporal: meu joelho se sente aliviado e consegui levantar o arco transversal da sola do meu pé :) Compartilho isso, pois no laboratório de criação, tenho me interessado nas marcas do corpo e as qualidades distintas que estas podem me provocar. Utilizar essas marcas signfica para mim atualizar, modificar e criar novas consciências de movimentos.

    Yiuki

    a Dança não tem importância...

    galera me peguei pensando na frase que o Gustavo falou pra Cintia e a Cintia falou pra gente.... e ai me aparece esse vídeo nos olhos, e tento ainda mais responder
    qual é o corpo do trabalho?
    qual o movimento que eu busco da minha memória?

    mover/mexer todos somos capazes.


    fica ai meu vídeo (pensante) de sábado....

    http://www.ideafixa.com/musica-e-contexto/

    sexta-feira, 28 de março de 2014

    o que quero falar da memória.

    Quero começar pelo fascínio que a memória me traz, como é bom poder contar, lembrar e reviver alguns fatos da vida. Porque sempre que busco a memória me vem coisas boas, histórias que me fazem bem?
    A minha memória funciona assim, volto ao lugar, sinto os cheiros e me vem logo as cores e os movimentos da história/memória que quero tratar. É curioso que sempre alguns fatos aumentam ou diminuem a cada contação, depende a empolgação que coloco no momento.

    Parei para pensar e tudo me sai do pensamento, seria a falta de memórias ou uma busca muito intensa por um fato que quero nesse momento?

    Tenho que me acalmar para ver a memória surgir, mansa como uma nascente de rio e é bem assim, quando menos percebo ela é um rio  imenso, navegável em minha frente.

    rio_ perigo, medo, bonito, grande, misterioso (não se sabe o que ele tem no fundo) enganador, inconstante, sujeito sempre a alterações.

                                                                                         PAREI.



    IMPRESSÕES DO ENSAIO DE 13/MARÇO/2014.                                              por Peter Abudi.


    impressões do último ensaio

    Iniciamos com a longa tragetória para sair do chão em “uníssono”. Como encontrar um corpo para o trabalho sem perder as especificidades de cada um?
    Depois começamos a integrar o movimento do outro, agregando novas memórias ao nosso movimento. Na 1ª etapa tive a nítida sensação de continuar o discurso do outro, como no nosso exercício verbal. Cheguei até a me confundir com o Yiuki e a me esquecer do que eu tinha construído sozinha anteriormente. Como se estivesse o tempo todo mentindo. Dançando uma dança que não era minha, mas que também era.
    No 2º momento, pensar em uma palavra: ACÚMULO.
    “Meu corpo acumula todos os passados do mundo”.
    Aí, pensamos em construir sobre essa palavra. Ora me perco no caos das infinitas possibilidades, ora encontro lugares que me interessam. Quais? AQUELES EM QUE ME PERCO NO OUTRO E AQUELES QUE ME TOCAM PESSOALMENTE. O entre é todo o resto. Um universo. Pode ser tudo e também pode não ser absolutamente nada. A quem pode interessar? Meu corpo memória exposto? Uma grande exposição de corpos diluídos no tempo-espaço da memória. Crises …

    'O que o corpo não lembra'


    pesquisando umas coisas encontrei o espetáculo "What the Body Does Not Remember" do grupo belga Ultima Vez, e achei que poderia ser legal compartilhá-lo com vocês. O trabalho, de 1987, foi a estreia do grupo dirigido pelo coreógrafo Wim Vandekeybus. Em 2013 fizeram uma remontagem, que inclusive veio para a Bienal de Dança do Sesc do ano passado. 
    Não consegui encontrar o vídeo inteiro, apenas um pequeno fragmento. E pela descrição do trabalho no site, acho que mesmo o ponto de partida dele foi bem diferente do nosso - não exatamente a memória, mas mais as relações entre atração e repulsa, agressividade, medo, ansiedade. 
    Mas achei interessante compartilhar mesmo assim. Há também um texto interessante do Wim Vandekeybus na página deste trabalho no site da companhia, especialmente a seguinte frase: "Mais quand tout est dit et fait, le corps ne se souvient peut-être de rien et tout est une illusion subtile du manque, ce qui aide à jalonner le jeu ou à l’épuiser" e que eu, no meu atual nível de francês, poderia traduzir como: "Mas quando tudo está dito e feito, talvez o corpo não se lembre de nada e tudo seja uma ilusão sutil de falta, que ajuda a balizar o jogo ou a esgotá-lo". 


    Aí vai o link do vídeo que encontrei, como um pequeno teaser da versão 2013:




    Aqui está o link da página deste trabalho no site da companhia (aonde se pode encontrar mais informações sobre o trabalho e o texto completo [um parágrafo] daonde tirei a frase dali de cima):  http://www.ultimavez.com/fr/productions/what-body-does-not-remember

    E, para finalizar, um texto da Clarice Lima sobre esse trabalho, dentro do projeto 7x7 (um projeto de manifestações crítico-poéticas em torno de trabalhos artísticos escritos por artistas - como uma espécie de feedback poético espontâneo). Apesar dela colocar questões muito pessoais nesse texto de alguma forma, pelo menos para mim, ele redimensiona coisas. E isso me fez pensar em duas questões; uma que é: eu leio o texto dela mas não tive acesso ao trabalho que ela assistiu (que poderíamos chamar de 'o fato'), no entanto, ele acaba criando um sentido para mim independentemente deste fato específico (o espetáculo) e quase uma mem´ria-invenção do trabalho (como se eu criasse um espetáculo a partir das impressões e memórias dela em confronto com o quê isso vai reverberando nas minhas próprias memórias); a segunda: ele cria sentido para mim a partir de outros fatos bastante específicos (suas próprias memórias e o modo como me relaciono com isso que ela escreve), mas de algum jeito apesar dessas especifidades eles me afetam - o que me leva à pergunta: qual o limiar entre o particular e particular-universalizado? 


    Drink no Dancing
    Por Clarice Lima a partir de O que o corpo não lembra, de Wim Vandekeybus
    O corpo lembra que amo dançar, que perco 1 kilo por espetáculo, que faço aula de balé antes de jogar tijolos pro ar, que no meu suor tem muito redbull e relaxante muscular, que me sinto cansada a maior parte do tempo, que tenho espetáculo agendados até 2015, que isso é tudo que eu sempre quis, que não vou operar meu joelho, que na audição tinham 500 bailarinos, que sou ok, que tenho sorte e coragem, que fico constrangida com aplausos no meio do espetáculo, que não consigo parar de roer as unhas, que sou Eslovaca, que tenho 22 anos, que já engordei, emagreci, engordei, emagreci e comecei a fumar, que não trabalho com sedução, que é emocionante dançar em grupo, que mal vejo o meu marido, que dançar dói, que como mais stroopwafel do que deveria, que vivo ilegalmente na Europa, que I forgive but I don’t forget, que não sou coreógrafa, que li Roger Garaudy, que tenho muita energia masculina, que gosto de romance, cinema, drink no dancing,cheese.
    O que o corpo não lembra é que isso foi há 25 anos atrás.
    lá tem também mais informações sobre o 7x7 se alguém se interessar)


    Acho que é isso, por hora. Desculpem se  meu último parágrafo ficou meio confuso. Podemos conversar melhor sobre, se for o caso.

    Beijos!

    quinta-feira, 27 de março de 2014

    Memória do Músculo

    “Toda rigidez muscular contém história e a significação da sua origem. Quando ela é dissolvida, não só a energia é liberada… mas também traz a memória da própria situação infantil em que o recalque se deu” (Wilhelm Reich)

    des, semana passada li o livro “O Corpo Tem suas Razões – Antiginásticas e consciência de si” da autora Thérèse Bertherat indicado pela dupla Gisele Onuki & Cinthia Andrade na disciplina Abordagens e Análise da Dança no 1º ano da FAP. Esse livro me ajudou a revisitar várias memórias do meu corpo. Nessas recordações, percebi que muitos deles ficaram registrados nos meus músculos: padrões de posturas, tensões musculares, padrões de movimentos, etc.

    No nosso laboratório, a memória do músculo ajudou a acionar sensações que disparam o meu movimento. Sinto que as lembranças particulares, que advém junto ao meu dançar, estão conectados a esses acessos musculares - mas que essas histórias particulares podem ficar guardadas para mim. Interessa-me compartilhar com o público os movimentos oriundos dessas marcas que ficaram no meu corpo.

    Dessa maneira, desapego/liberto das minhas lembranças particulares, mas apego-me a capacidade de memorizar do meu corpo, essa que pode ser atualizada, modificada, expandida, exagerada, minimizada e recriada durante os laboratórios de criação. Nesse processo, gostaria até de mimetizar os movimentos dos outros, as marcas dos outros, a fim de transformá-los em minhas memórias musculares e particulares.

    Yiuki

    quarta-feira, 26 de março de 2014

    O que eu gostaria de falar sobre a memória

    Eu tenho vontade de falar sobre a nossa capacidade de recriar constantemente a memória. Me interessa muito o lugar onde a realidade e a ficção se misturam. A Fricção. Talvez dançar uma mentira. Talvez contar a história de alguém como se fosse minha. Ou dançar a dança de alguém como se fosse minha. Eu gosto do paradoxo da memória. Dos limites tênus entre imagem e imaginação.
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    Também me interesso pela perda ou dificuldade de reter a memória. Aquilo que escapa (e portanto não possuo?) ou aquilo que meu corpo de recusa a registrar. Lapsos. Buracos negros. Corpo sem memória? Se eu fosse usar uma memória mais pessoal para este trabalho, acho que usaria minha sempre incompleta memória sobre o acidente do meu pai.
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    Também gostos da ideia do que não se resolve nunca, como no livro Leite Derramado, do Chico Buarque. Sobreposições de memórias que nunca darão conta de revelar aquilo que realmente aconteceu. Armadilhas da mente.
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    Impregnar o espaço de memórias. Lidar com o TEMPO a fim de construir uma memória material para o público. Acumulação de passados.
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    Dramaturgicamente não tentar resolver aquilo que não pode ser resolvido.

    pequeno inventário da Boina Vermelha

    Palavras-chave:
    • bolsa
    • máscara (rosto vermelho)
    • leque
    • coração
    • peito
    Experimentos:
    1. Criar movimentos com a boina como protagonista. Talvez pensar nos verbos utilitários encontrados para ela: aquecer, prender, esconder, …
    2. Produzir um vídeo com a boina em local público.
    3. Descobrir algo que possa ser revelado de dentro da boina, como um “coelho da cartola”.
    4. Criar uma nova memória para a boina no corpo, até que ela possa desaparecer. Redimensionar o objeto e seus significados. Impregnar. O que fica? Um rastro vermelho.
    5. Brincar com uma música que surgiu ao acaso: How deep is your love

    terça-feira, 25 de março de 2014

    Memórias de processo com Tuca Pinheiro

    Corpo em X. Desconforto nas articulações coxo-femurais. Partes protagonistas do corpo. Criação de novas memórias para o corpo. Descoberta de novas tragetórias. Não fixar em nenhuma forma. Abrir frestas para o desconhecido. Rituais africanos de candomblé. Colunas de mulheres negras. Inconsciente coletivo. Memória coletiva. Memória nacional. O que seria um corpo sem memória? Virei uma ameba. Alívio e pavor ao mesmo tempo. Paradoxo. Tempo. Discussões sobre o tempo do trabalho. Existe o tempo dos materiais, o tempo da cena e o tempo da obra. Estou no caos. Começamos o processo às avessas do que geralmente fazíamos, do coletivo para o individual. Sentimento bom. Qual é o corpo deste trabalho? O mais importante é o estado encontrado, não as formas. Parece uma dança em uníssono. Como resgatar estes estados? O espaço vai ficando impregnado da memória do movimento. A importância da permanência e da insistência. É preciso que a máscara esteja integrada ao tônus do resto do corpo. Estar presente na ação. CriAÇÃO. Nem razão, nem emoção: ação. Não é necessário negar nosso repertório, o mais interessante é a nossa capacidade de realocar aquilo que já sabemos. Memória física, utilitária, sócio-política e fictícia dos objetos. O redimensionamento do pacotinho de presente. Dar sentido ao movimento que nasce da pesquisa ao invés de buscar um movimento para determinado sentido. Vou jogar meu corpo na cama! O que a des busca hoje? Estamos dispostos a escancarar mais o que pensamos e sentimos: pela obra, pelo processo artístico? Sair da zona de conforto. Agitar aquilo que está acomodado. Respirar pelo nariz e soltar pela boca. Esparramar. O corpo em queda livre. Subir pelos olhos. A MEMÓRIA É UMA AVALANCHE. Existem diferentes naturezas de memória. Temos que entender melhor os processos da memória para pode selecionar o que realmente interessa. Eu que movo o espaço ou o espaço que me move? Fita de moébius. Encaixes e rotações de úmeros e fêmurs. Se eu fecho os olhos o que eu lembro do Peter: camiseta preta desbotada escrito game over, calça roxa, brinco de lagartixa, pintas no rosto, anel na mão esquerda (ops, memória de outra memória), touro, perdeu a virgindade aos 23, Campo Magro, relação com duas mulheres, … Entrar em todos os buracos possíveis. Yiuki chorando. Mulheres presentes. Aniversário do Tuca. Documentário de arte contemporânea e sua relação com o corpo. memória de uma música, produção de sons. Falhas. Ficções. Caminhando ininterruptamente pelo espaço. O QUE É UM CORPO SEM MEMÓRIAS? A história da boina vermelha. Dor no nervo ísquiotibial. Mãos que abrem espaços no meu corpo. Cuidado com as palavras. Ter mais certezas. Compartilhar a obra com o público. Sentimento bom. A memória dos movimentos. Caos. Transe. Corpo. Tempo. Ação. Palavra. Fresta. Não dá para dar conta de tudo.

    quarta-feira, 19 de março de 2014

    compartilhando questões

    des

    Compartilho com vocês alguns questionamentos surgidos nos últimos ensaios e partes do texto escrito semana passada. Voilà:

    . . . 

    Como se cria memórias? Como criá-las no corpo? Cada instante que passa, cada instante do presente, do agora... e se eu pudesse retê-los? E se eu quisesse guardá-los todos? Se eu pudesse produzir no meu corpo a memória dos teus toques, as memórias das formas desses objetos tão perfeita e fielmente?
    Se a memória de alguma maneira define o sujeito e eu não possuo aquilo de que não me lembro eu não possuo você, eu não possuo teus toques, eu não possuo tua carne contra a minha? Será que meu corpo esqueceu? E se as lembranças mudam o tempo todo, o que eu possuo de meu?  Seria possível dizer que eu possuo alguma coisa? Se isso que eu aparentemente possuo se modifica o tempo todo...
    Minha memória falha. E se não temos a chance de repetir algo parece às vezes que é quase impossível lembrar. Mas e se os melhores momentos forem justo os irrepetíveis? Eu não os possuo, eu não os possuirei jamais? Mas eles também me compõem, não? Eles também me definem...
    Talvez a gente também possa ser definido por aquilo que nos falta, por aquilo que nos escapa... 

    _____


    O que garante que eu consigo lembrar se sempre quando me lembro construo as imagens como se eu fosse um espectador que assiste à cena de fora? Não consigo lembrar do pertencer ao meu corpo. É como se nas lembranças meu corpo não me pertencesse. Apenas uma profusão de imagens inabitadas...

    Parece que quanto mais me esforço para lembrar mais as coisas me escapam. Às vezes eu paro e tento prestar atenção em tudo o que me cerca para tentar reter todas as informações, o cheiro, a temperatura, meu corpo, o sentimento - mas depois não consigo lembrar nada disso.

    Sou tomada. Sou tomada por imagens e pensamentos e memórias que não consigo controlar. Não, eu não tenho domínio sobre o que me lembro, não tenho domíni sobre o que penso. Essas coisas é que exercem sobre mim suas forças e me assaltam indefinidamente e independentemente da minha vontade. Eu sinto como se eu não pudesse escolher do que lembrar ou no que pensar. É como se os pensamentos e as lembranças tivessem vida e vontade próprios e eles é que me escolhessem.

    Eu me pergunto sobre aquilo de que não lembro.  O quanto essas coisas ainda estão aqui, estão vivas, estão em mim? O quanto fazem parte de uma memóriacarne que não precisa do acesso aos fatos uma vez transformada, atravessada...?

    Eu preciso criar minhas ficções diariamente sobre aquilo que sou ou aquilo do porquê vivo para que as coisas pareçam fazer mais sentido. Talvez a memória ajude nisso. Talvez lembrar seja uma questão de sobrevivência.

    . . .

    tatear a memória é como tatear no escuro uma centena de fios e emaranhados moles, que exigem que eu readeque meu corpo a todo momento a todo momento. Há sempre uma falta.

    sexta-feira, 7 de março de 2014

    Resignificando a palavra recordação

    des, achei interessante encontrar os radicais RE + COR + AÇÃO na palavra RECORDAÇÃO. Como trazer a memória no presente para transformar em sentimento que gera ação. Compartilho um dos meus objetos de estima. Abraços. Yiuki

    AMULETO MAORI

    Jade Maori hooks

    É um amuleto Maori que eu ganhei de uma amiga que vive em Nova Zelândia. Feita de pedra de jade, possui o formato de um anzol que significa abundância, prosperidade e determinação. Desde que ganhei, carrego-o para recordar todos os meus afetos, sejam amigos, amantes ou familiares. Usufruo-o para resignificar o sentido do vazio, da ausência, transformando os não-presentes em re-cor-dar-ações. Assim, a partir do passado, revivo as pessoas em imaginações e fé, idealizo-os no futuro que não aconteceu, trago-os de volta dentro de mim no presente. Nessa viagem de memória, imaginação e fé, ele me traz os sentimentos que vivemos juntos. Em momentos difícieis, apoio nessas sensações para seguir o meu caminho.

    terça-feira, 4 de março de 2014

    memória x ficção

    Coloco aqui o link do espetáculo Ficção, do site da Cia. Hiato (lembrando a todos para dar uma olhada no texto sobre o novo projeto da companhia: Duas Ficções) + 3 links de vídeos do espetáculo que encontrei no youtube. Tenho achado inpirador não apenas pelas questões que eles levantam sobre a ficção, mas também esteticamente. Espaço extremamente intimista, poucos elementos, uma conversa bem “cara à cara”. Gosto muito!
    http://www.ciahiato.com.br/o-ficcao.html




    sobre a privacidade da memória

    Para registrar no blog o link do filme que comentei no ensaio.
    E se pudéssemos acessar nossas memórias tal qual elas realmente aconteceram?
    Precisamos assistir juntos …
    http://www.adorocinema.com/filmes/filme-52423/